OVINOCULTURA


ALGUNS CONCEITOS
OVINOS - Passam maior parte do tempo ao ar livre.
-Entorno/orientação: proteger dos ventos frios de SO.
-Temperatura do ar: 10ºC a 25ºC.
-Umidade: bem protegido.
-Ventilação: muito boa, sem corrente sobre os animais.
-Mureta: de 1.40 a 1.60 m no perímetro da construção.
-Insolação: proteger do sol excessivo. Proteger do calor intenso.
-Para ovinos: Condições favoráveis para criação: T max 25ºC, T min 22ºC
-Prejudicial: Umidade relativa afeta a evaporação no sistema respiratório.

     Condições necessárias para a criação de ovinos


Ø  Conhecimento técnico por parte do criador, além de seu "entusiasmo" pela atividade;
Ø  Animais de boa qualidade e procedência;
Ø  Clima adequado ao tipo de criação e às raças criadas;
Ø  Disponibilidade de água, alimentação e eventuais suplementos;
Ø  Qualidade pastagens.
Clima adequado

Existem várias raças de ovinos que, de acordo com a sua região de origem, se adaptam melhor a determinadas condições climáticas. Apesar de se adaptarem a diferentes tipos de clima, a maior parte das raças se desenvolve melhor em climas mais frios e com uma umidade relativa do ar média. Desta forma, são dados importantes a latitude e a altitude, onde desejamos criar ovinos.

Disponibilidade de água, alimentação e eventuais suplementos

Os ovinos necessitam de uma considerável quantidade de água para sobreviver, quantidade essa que varia de acordo com as temperaturas encontradas na região da criação. Em média, os animais adultos consomem de 3 a 4 litros de água por dia e os cordeiros, de 1 a 2 litros. Esse consumo varia, também de acordo com a estação climática: no verão o consumo aumenta e no inverno diminui. Devemos fornecer, sempre, água fresca e em bebedouros, uma água limpa e que garanta a qualidade de vida e saúde dos animais.
Além da água, os animais poderão consumir rações balanceadas, diferenciadas para cada fase do desenvolvimento dos animais. Essas rações podem ser utilizadas como alimentação principal (em regime de confinamento) ou como suplemento alimentar para os animais criados em regime de pasto.


ALIMENTAÇÃO
Alimentação - A alimentação dos ovinos deve se basear no pastejo com gramíneas, se possível consorciada com leguminosas. Além disso, deve ser suplementada com sais minerais, que ficarão à disposição nos cochos. Na seca, alimentação deve ser reforçada com feno, silagem ou caplnelra cortada, triturada e dada no cocho. Deve ser fornecida na seca e nas oito primeiras semanas de amamentação. A alimentação adicional pode se constituir também de milho desintegrado, cana picada, feljão-guandu, além do feno de gramíneas e leguminosas.
Dois hectares de milho podem fornecer ração adicional para 120 ovelhas e suas crias machos até a 13 semana de Idade. O pasto, de preferência, não deve ultrapassar os 40 cm de altura. Os capins recomendados para a formação do pasto são o pangola, o braquiárla. o estrela-africana, o bermuda. e o quiculo, entre outros, dependendo do tipo de solo e do clima da região em que a propriedade se localiza.
 
REPRODUÇÃO
Estação sexual-
Fêmea: As ovelhas são poliéstricas estacionais de modo que os filhotes nascem durante a época mais favorável do ano, a primavera. A duração da estação sexual varia com o comprimento do dia, raça e nutrição. Nas zonas tropicais, onde há menor variação na luz diária, as ovelhas tendem a se reproduzir durante o ano todo. A temperatura ambiente e a falta e alimento podem restringir a atividade sexual durante alguns meses do ano nos trópicos, porém logo após o início da estação chuvosa, a atividade sexual aumenta, provavelmente devido a uma modificação na disponibilidade de alimento.
Macho: O carneiro não apresenta uma estação de cobertura restrita, mas a atividade sexual é maior no outono, declinando no final do inverno, primavera e verão.  A diminuição (ou encurtamento) do dia estimula a secreção de FSH, LH e Testosterona em carneiros, enquanto que o aumento (ou alongamento) do dia inibe estes hormônios.
PUBERDADE
 Fêmea: A puberdade, idade da primeira ovulação, ocorre aos 6 a 9 meses. A decisão de colocar um animal jovem em reprodução tem uma grande importância, por afetar o seu desempenho reprodutivo futuro. A chegada da puberdade em ovino é influenciada por fatores genéticos e ambientais tais como diferenças  de  raças  e  linhagens,  planos  de  nutrição  e  época  do nascimento. O primeiro cio ocorre quando a  fêmea pesa de 50  a 70% do peso  adulto.
Macho: A puberdade no carneiro está associada a um marcante aumento na secreção de testosterona, na espermatogênese e no comportamento sexual. O tamanho dos testículos aumenta quando os cordeiros atingem 8 a 10 semanas de idade e peso corpóreo de 16 a 20  quilos.  Estes fatos  coincidem  com  o  aparecimento  de  espermatócitos  primários  e aumento da  luz dos  túbulos seminíferos. A cópula com ejaculação de espermatozóides viáveis ocorre ao  redor de 4 a 6 meses de  idade com peso vivo de 40 a 60% do peso adulto
GESTAÇÃO
Sabendo-se que a gestação da ovelha é em média de 140 dias é possível prever, aproximadamente, a época de parição e alguns cuidados devem ser tomados para que se tenha em bom produto. A gestação da ovelha pode ser dividida em duas fases:
- até os 100 dias, onde as exigências nutricionais são moderadas;
- e os últimos 50 dias ou terço final de gestação.
Neste período é que ocorrem 70% do crescimento fetal, além da preparação da ovelha Para a lactação.  Por  isso  deve-se  ter  um  cuidado  maior  nesse  período,  pois,  caso contrário, ter-se-á baixa produção de leite, baixo peso ao nascer e mortalidade elevada. 
  • No último mês de  gestação  as  ovelhas  devem  ser  vacinadas  contra enterotoxemia para que seja conferida imunidade passiva aos cordeiros.
  • Deve-se  controlar  a  verminose,  pois  é  no  final  da  gestação  e  lactação  que ocorrem as maiores infestações.
  • Deslocamentos devem ser cuidadosos para não estressar as ovelhas.
  • E, devem ser oferecidas boa pastagem, água pura e sombra.
  • Um mês antes da parição deve ser realizada a remoção da lã das fêmeas da região perivulvar, úbere (cascar reio) e em torno dos olhos (desolhe).  O cascarreio favorece o acesso dos recém-nascidos às tetas, reduz a incidência de bicheiras na região vulvar após a parição e facilita a
PARTO
O feto representa o papel chave no início do parto. Os partos são distribuídos ao longo do dia. Não se deve interferir no parto sem necessidade e nem por algum tempo depois. A maioria dos cordeiros fica em pé dentro de 15 minutos após o nascimento, e dentro de um ou duas horas, a maior parte das ovelhas permite que o cordeiro dirija-se para o úbere. O “período crítico” de união da ovelha ao cordeiro é curto. Se o cordeiro for removido logo após o nascimento, ele será rejeitado pela mãe quando apresentado a ela 6 a 12 horas mais tarde. Passado esse tempo deve-se fazer o corte e desinfecção do cordão umbilical, com tintura de iodo a 2%. Faz-se, também, a marcação do cordeiro com tatuagem ou brinco.  Em casos de partos múltiplos deve-se ficar atento para que a ovelha não abandone nenhum filhote, caso ocorra, tratá-lo na mamadeira ou fazer com que alguma ovelha o adote. Aos 20 dias, no máximo, deve ser feita a descola.
LACTAÇÃO
Nas primeiras seis a oito semanas de lactação, a ingestão de leite pelo cordeiro é fundamental para eu crescimento, ainda que o pico de produção leiteira ocorra duas a três semanas após o parto. O peso de cordeiro ao nascimento e seu apetite, exercem uma ação direta na produção de leite, ou seja, um cordeiro mais pesado leva a uma maior produção leiteira pela mãe, o que por sua vez, o leva a um maior ganho de peso. Se a pastagem for de boa qualidade não há necessidade  de  se  suplementar  as ovelhas,  mas  em  caso  contrário,  pode-se  suplementá-las  com  feno,  silagem  e  até concentrado.
DESMAMA
A desmama, definida como a  supressão  total  da ingestão  de  leite  pelo  cordeiro,  é  efetuada  nas  mais  distintas  formas,  conforme  os sistemas de produção empregados nas diversas regiões criatórias do mundo. Consideram três sistemas de desmama: precoce, semiprecoce e tardio. O precoce refere-se à separação do cordeiro na faixa de 21 a 45 dias; o semiprecoce e 60 a 100 dias; o tardio de 100 a 150 dias de idade. A desmama  tardia  é  típica  dos  sistemas  extensivos  de  criação,  ao  passo que  a precoce ajusta-se tanto aos casos das explorações leiteiras, como dos sistemas intensivos de produção de carne. No caso específico das novas áreas de criação acima citadas, nasquais as condições climáticas indiquem a necessidade da implantação do confinamento, em virtude das altas cargas parasitárias da pastagem, a desmama precoce, efetuada ao redor de 45 dias, é a mais indicada. (). O pico da produção de leite ocorre entre a terceira e quarta semana após o parto, sendo que 75% do total da lactação são produzido nas oito primeiras semanas. O período de real dependência pelo  leite  pode  ser encurtado, de acordo com o manejo alimentar. As vantagens da desmama precoce pode ser resumida nos seguintes pontos:
- O processo de transformação direta de forragem em carne é mais econômico que a dupla conversão de forragem em leite e de leite em carne;
- A desmama precoce com a colocação dos cordeiros recém-desmamados em pastagens descontaminadas, reduzirão as infestações por vermes;
- Aumento da produção de lã das ovelhas, considerando que uma ovelha produz  20 a 30% mais lã em relação a uma ovelha com cordeiro ao pé;
- Com a redução das suas exigências nutricionais, as fêmeas poderão permanecer em pastagens de qualidade mediana, ficando os cordeiros nos melhores piquetes;
- Facilita o manejo do rebanho, permitindo que as ovelhas cheguem ao próximo encarneiramento com melhor condição corporal.
DOENÇAS
A doença produz, mesmo em lesões leves, dificuldade de locomoção, limitando o deslocamento dos animais e influenciando, significativamente, na alimentação e reprodução. Rebanhos portadores desta enfermidade apresentam reduções no peso corpóreo de até 11%. Como decorrência da dificuldade de alimentação, há também uma redução na produção de lã em até 8%, além do comprometimento da qualidade deste produto.
Dose vacinal e via de aplicação
A dose da vacina é de 2 ml e a via adequada é a intramuscular, na região da tábua do pescoço. Ovinos e caprinos adultos e animais jovens a partir dos três (3) meses de idade devem ser vacinados. Animais primeiramente vacinados devem receber um reforço da vacina após 21 a 42 dias da primeira vacinação. O uso de agulhas para ovinos deve restringir-se a 13x10 ou 15x10, ou seja, agulhas com 13 a 15 mm de comprimento e 1 mm de diâmetro. 

INSTALAÇÕES
A importância das instalações está fundamentada na extrema capacidade que elas têm em buscar a otimização da relação homem/animal/ambiente, dentro de um processo de produção, isto é: elas facilitam e reduzem o uso da mão de obra para as tarefas diárias, favorecem o manuseio do rebanho e o controle de doenças, protegem e dão segurança aos animais, dividem pastagens, armazenam e reduzem o desperdício de alimentos, entre outras.             As instalações devem ser muito bem planejadas para oferecerem conforto aos animais.
·         Galpão bem arejado, higiênico, sem correntes de vento, com baixa amplitude  de  variação  de  temperatura,  sem  radiação  solar  direta  e ausência  de  poeira  excessiva,  são  fatores  que  vão  determinar  o  sucesso  do empreendimento.
·         O piso pode ser de terra ou cimentado, devendo-se utilizar cama  (feno, palha de arroz ou maravalha), ou piso ripado.
·         A área  por  animal  confinado  depende  das  condições  da  instalação.  Quando forem  ótimas,  pode-se  considerar  0,60m2/cordeiro,  até  30  Kg  de  peso  vivo, aumentando-se de acordo com a situação.
·         Os comedouros deverão ser protegidos, para que os  animais  não  entrem,  evitando  que  defequem  e  urinem  na  ração,  fato  que implicará em perdas substanciais.
·         O terreno deve ser de textura bem consistente (duro, pedregoso ou de afloramento calcário) e com boa drenagem; construída próximo à casa do manejador;
·         Orientação: em instalações com área coberta, esta deve ser construída no sentido norte-sul, no maior comprimento e com declividade de 2 a 5%.


Os sistemas mais utilizados na criação de ovinos são: extensivo, semi-extensivo e intensivo.
SISTEMA EXTENSIVO
Neste sistema de criação, os animais ficam livres no pasto. Este sistema é voltado para a produção de carne de forma tradicional ou para a subsistência, e, não sendo necessária a construção de instalações grandiosas, devem-se ter, apenas, áreas com bom sombreamento. Apresenta baixa produtividade e ocupa grandes extensões de terra, com água natural. Neste sistema, o proprietário não mantém controle sobre os animais; por isso, não é recomendável a produção comercial de ovinos.

 SISTEMA SEMI-EXTENSIVO
    Os animais vão ao pasto e são recolhidos à noite nas instalações, recebendo  suplementação volumosa,
concentrada e mistura mineral no cocho em determinadas épocas do ano ou em determinadas fases de produção.
Neste sistema, o criador tem a possibilidade de melhor controle zootécnico e sanitário do rebanho se utilizar
instalações adequadas e fizer o manejo correto. Para isso, é necessária a construção de abrigos com bebedouros e
comedouros, cocho privativo para os cordeiros e cercas na divisão dos piquetes. É um sistema viável para a exploração tecnificada, pela possibilidade de oferta de alimentos e suplementação, sendo que o animal não caminhará grandes distâncias para se alimentar.

 SISTEMA INTENSIVO
Consiste no confinamento total dos animais, com área de solário, sendo ideal para a produção de carne precoce
(cordeiro premium). Requer tecnologia e investimentos maiores do que os sistemas anteriores. A base da alimentação são os volumosos, a suplementação concentrada, a mistura mineral e a água fornecida em comedouros e bebedouros.
Aspectos Importantes na Construção das Instalações para Ovinos
Tamanho ou a área das instalações – O tamanho ou a área de uma instalação diz respeito tão somente ao tamanho do rebanho. Seja para o pastoreio ou alimentação no cocho, seja para o descanso ou repouso noturno dos animais, o que se espera é que a instalação disponibilize espaço apenas o suficiente para propiciar condições favoráveis ao desempenho dos animais. Mais do que isso, é desperdício.
Tamanho exagerado ou área em excesso têm custos mais elevados, sem trazer maiores benefícios.
As Principais Instalações
Entre as instalações mais utilizadas na produção de ovinos, as principais são:
*          apriscos
*          comedouros
*          bretes
*          pedilúvio
*          esterqueiras
*          saleiros
*          centros de manejo
*          currais
*          cercas
*          bebedouros
*          galpões
*          salas de ordenha

Aprisco de Chão Batido
Este é o tipo mais usado entre os criadores de caprinos e ovinos no Nordeste. Para a construção deste tipo de instalação considerar os aspectos anteriormente mencionados sobre localização. Considerar para fins de altura do pé direito, algo entre dois e dois e meio metros de altura. A área por animal está descrita logo abaixo.
Tamanho das áreas coberta e descoberta (área de exercício) de um aprisco para caprinos e/ou ovinos, em Cab/m2.
CATEGORIAS
AREA COBERTA (m²)
AREA DESCOBERTA (m²)
Matrizes
1,0
 > 2,0
Animais Jovens
0,8
 > 1,5
Crias
0,5
 > 1,0
Reprodutores
3,0
 > 6,0
Recomenda-se utilizar o dobro da área coberta para cada categoria de animal. Obs.: Estas mesmas medidas são recomendadas também para Centros de Manejo e Currais de engorda.
Outras recomendações de medidas:
Cocho:  Recomenda-se 0,2 m a 0,25 m linear para cada animal, ou seja, utilizar 04 a 05 animais por metro linear de cocho.
Brete:  Comprimento = 08 m; Largura = 0,25 m na base inferior e 0,35 m na base superior; Altura = 0,85 m. Os bretes são instalações complementares de um centro de manejo. Devem ser centralizados e construídos de tal forma a permitir um fácil acesso dos animais.
Pedilúvio: Comprimento = 2,0 m; Profundidade = 0,10 m; Largura = a mesma largura da porteira. A finalidade do pedilúvio é fazer a desinfecção espontânea dos cascos dos animais, toda vez que eles entrem ou saiam do aprisco.
Esterqueira: A esterqueira pode ser de alvenaria, medindo 4,0 m de largura x 2,0 m de profundidade e 1,5 m de altura. A esterqueira é uma construção reservada para depósito de esterco. Ela permite o melhor aproveitamento do esterco e contribui para melhorar as condições higiênicas da criação.
Saleiro: Geralmente, são feitos com pneus cortados, suspensos do solo de 20 cm a 30 cm, em forma de balanço, no sentido de favorecer o acesso ao consumo de minerais e dificultar o acesso à contaminação e ao desperdiço do sal. Saleiros são pequenos cochos distribuídos estrategicamente em meio às instalações, com a finalidade de promover a suplementação mineral dos animais.
Cercas: Existem vários tipos de cercas, a saber: cercas de arame farpado; cercas de arame liso; cercas elétricas; cercas de madeira (varas), etc. Vale salientar que o custo de cada cerca varia com o tipo e com o material empregado. Nos sistemas de produção que visam o aproveitamento da pele com qualidade, as cercas para caprinos e ovinos não devem ser feitas com arame farpado. De toda forma As cercas destinadas a conter os animais devem ter 90 cm de altura. com distância de 22 cm entre os fios superiores e 12 cm entre os inferiores três fios superiores e três fios inferiores. Para a criação de ovelhas são necessários, pelo menos, três pastos: um para as ovelhas de cria e animais novos, outro para as ovelhas e capões. e o terceiro para o plantel.
 
Piquetes: Os piquetes devem ser Instalados em área de fácil fiscalização. Neles devem ser colocados os animais que necessitem de trato especial ou que precisam de maior assistência. Uns três ou quatro piquetes sempre são úteis.
Bebedouros: Os comedouros e bebedouros devem estar localizados fora das baias evitando assim a contaminação fecal de água e alimentos, bem como facilitando o acesso e a limpeza dos mesmos pelo manejador. Para colocação externa de comedouros e bebedouros faz-se necessária a existência de aberturas (canzis) para a passagem da cabeça do animal.
Currais: Os currais incluem como anexos, os bretes (dispositivo para prender o animal), A construção do curral deve ser em local central, em terreno levemente inclinado e bem drenado. Os currais devem ser feitos com cercas de arame liso ou de madeira de preferência sem ângulos nos cantos. Os bretes são dispostos em seguida aos currais e são compartimentos menores. feitos com tábuas e providos de tranqueiras que facilitam a movimentação, dos ovinos.  Abrigos rústicos podem ser providenciados nos pastos. com a formação de maciços de árvores de sombra ou com a limpeza de pequenos capões Já existentes. Os abrigos devem ser calculados na base de melo hectare para 500 cabeças de ovinos. Para pequenos rebanhos, são úteis abrigos cobertos de palha. mesmo para a proteção de cochos de sal mineralizado.  Já para as criações intensivas ou do tipo misto, é útil um aprisco para abrigar os animais à noite e para facilitar os cuidados com os ovinos. Nos apriscos os ovinos podem ser mantidos em balas individuais ou coletivas. conforme a categoria. Nas balas coletivas. deve ser prevista a área de 1.5 m2 por cabeça. Cada divisão precisa ter comedouro, bebedouro e grade para feno.
Em criações de grande vulto é necessário que se construa um banheiro anti-sárnico, segundo projetos fornecidos por associações de criadores, Secretaria ou Ministério da Agricultura. Em pequenas criações é dispensável, pois em caso de necessidade poderão ser feitas pulverizações contra o parasitas.
Localização das construções - para toda construção, a sua localização é de extrema importância, na medida em que ela deve atender aspectos de ambiente, de espaço, de tempo e de segurança, no desenvolvimento das atividades diárias com um rebanho. Em caso de apriscos, por exemplo: eles devem ser construídos em terreno elevado, bem drenado, ventilado, longe de estradas e próximo à casa do manejador; A localização de uma instalação está relacionada com as características de cada propriedade. No entanto algumas orientações devem ser seguidas, tais como: O local deve ser uma área convergente das pastagens ou permitir fácil acesso a todas elas a fim de favorecer a otimização da mão-de-obra no manejo do rebanho;
Situação – Em algumas instalações, como é o caso dos apriscos, em especial, a sua situação com relação aos pontos cardeais é um fator importante, tendo em vista a predominância dos ventos e das chuvas, em cada localidade, e a redução máxima dos seus efeitos negativos sobre os animais (as correntes de ar e a umidade em excesso, entre outros). Assim, os apriscos deverão situar-se sempre no sentido Norte-Sul, para um melhor aproveitamento da penetração dos raios solares (manhã e tarde), permitir uma boa circulação de ar e resguardar os animais de ventos fortes e encanados.
FuncionalidadeToda e qualquer instalação tem a obrigatoriedade de ser funcional, isto é, tem que atender bem às necessidades do rebanho, proporcionando proteção e segurança ao mesmo; deve facilitar a alimentação e tratamento dos animais e permitir a divisão dos mesmos em categorias. Atender, também, a uma melhor divisão de pastagens, ou a um melhor armazenamento de alimentos ou, ainda, permitir o livre acesso de manejadores e o trânsito fácil dos animais;
Higienização - A higiene das instalações é, sem sombra de dúvida, um aspecto de extrema importância na produção de caprinos e ovinos, sobretudo quando se trata de currais, apriscos e centros de manejo. A maior ou a menor freqüência de limpeza está condicionada às condições ambientais como: períodos chuvoso e seco, o tipo da instalação, a categoria de animais e as fazes de produção ( gestação, lactação, acabamento, etc.). Todavia, o bom senso do produtor ou do manejador é o melhor referencial indicativo para o estabelecimento da freqüência de limpeza das instalações. Em se tratando de salas de ordenha, a higienização deve ser realizada, diariamente, logo depois de efetuada cada ordenha.

Inseminação artificial de gado bovino leiteiro

Autor: Rodrigo Garziera 

1. INTRODUÇÃO 

Inseminação artificial é uma prática que consiste na introdução de sêmen no útero da vaca, feito pelo homem. 

Visando a melhor produção leiteira, os produtores pecuaristas estão cada vez mais aplicando fortunas pra terem melhores animais e com maior produção de leite/dia, tendo como objetivo, a obtenção de maiores lucros. 

Com o declínio da agricultura, a maioria dos pecuarista e agricultores estão recorrendo ao leite, pois é uma fonte de renda diária. Muitos desses (em torno de 60.000), pequenos produtores, estão usando desse recurso para a própria subsistência. 

Mas a maioria desses animais não apresentam o mínimo de qualidade genética, tendo como produção 7 l/dia. Esse dado é considerado extremamente baixo, e, para melhorá-lo há necessidade de boas inseminações, que muitas vezes, são consideradas caras. Ao fazer uma inseminação artificial, pode-se escolher a raça do touro, sendo que esse pode corrigir os defeitos da fêmeas, nascendo assim uma terneira com boas formas estáticas, boa produção de leite e principalmente, com uma raça bem definida. 

Esse trabalho visa os favores da inseminação artificial, sendo que no primeiro capítulo discute-se as vantagens econômicas, sanitárias e sociais. Já no segundo capítulo trata-se da apresentação do próprio inseminador. No terceiro, a composição do aparelho genital de uma vaca. No quarto capítulo, visa-se os métodos de melhor eficiência de inseminação. O quinto capítulo implica no reconhecimento do cio e o horário de inseminar. O sexto e o sétimo capítulo abrange a apresentação do sêmen, como armazenar e descongelar o mesmo, e a sua disposição no aparelho genital. E por último, o oitavo capítulo apresentará o modo de limpeza do material utilizado na inseminação. 



2. CONHEÇA A MELHOR FORMA DE QUALIFICAR O REBANHO 

A inseminação artificial é um método de reprodução normal, e, por isto mesmo, o termo "artificial" talvez não seja dos mais apropriados, uma vez que o material fecundado (sêmen) é natural, provindo de reprodutores masculinos. Somente a sua deposição nos órgãos genitais femininos é que é feita com a participação do homem e de instrumentos. Inseminação artificial é "um método de reprodução que consiste na deposição do sêmen através de instrumental próprio, nas proporções mais adequadas no aparelho genital feminino". 

Após anos de análises, Adyr Soares Becker conclui que se a inseminação artificial for precedida de critérios rigorosos, principalmente escolha de reprodutor e higiene do manjo, poupa tempo e dinheiro em melhoramento genético. 

2.1 Vantagens Zootécnicas 

A inseminação artificial é um meio que tem como fim o melhoramento zootécnico dos rebanhos. Através dela, consegue-se uniformizar os rebanhos a partir de um único pai. 

Permite organizar-se extremos programas de cruzamento; usar o sêmen de uma só ejaculada para centenas de vacas, aproveitando melhor a energia genética dos reprodutores; encurtar a estação de reprodução, conseguindo-se períodos de nascimento e desmama bem definidos com a terneira mais uniforme; melhorar o rendimento (carne, leite, lã, etc.). "a congelação de embriões (crioconservação) tem, além do significado científico, grande importância econômica e zootécnica" (Rodrigues, 1991, p 26), além de que , um reprodutor continue reproduzindo mesmo depois de morto. Além disso, um programa de inseminação artificial, no gado de corte, recomenda a adoção de determinadas técnicas de manejo, fazendo com que a reprodução mereça maior atenção, dentro de uma fazenda. O próprio sistema de identificação individual, através de brincos e fichários, facilita o controle, permitindo identificar e eliminar os animais com problema de reprodução. 

2.2 Vantagens Econômicas 

Entre outras, a possibilidade de pequenos e grandes criadores disparem de reprodutores de alto valor zootécnico, por preços bastante acessíveis. Além disso elimina-se os gastos de manutenção de touros (alimentação, tratador, medicamentos, etc.) e evita-se riscos de prejuízos por morte ou doenças. Também a ausência de touros permite, ao fazendeiro, aumentar a concentração de vacas. 

Diante da situação evolutiva de todos os ramos comerciais e culturais, Mauro S. Ribeiro (1992), afirma que a utilização de técnicas na área rural faz-se na medida em que o homem evolui culturalmente. Portanto, não pode-se esperar objetivos amplos e abrangentes de uma população rural com escassos acessos ao que denomina-se vida moderna. Ainda faltam várias etapas para que se possa utilizar as biotécnicas de reprodução animal de forma correta, econômica, objetiva e geradora de benefícios ao homem rural. Devido a técnica de congelamento de sêmen, o criador pode usar sêmen de touros estrangeiros, sem se preocupar com o preço ou importação bastante acessível, tenso, como ônus, apenas a dose do material fecundado. "Proprietários de reprodutores de alto valor zootécnico podem congelar e comercializar o sêmen de seus reprodutores, obtendo, com isso, bons lucros, bastando, para tal, cumprir as exigências legais" (Becker, 1985, p 20) 

Já está provado que o índice de fecundação, através de inseminação artificial, é bem superior ao da monta natural e, com isto, representa um menor custo de produção. Para comprovar-se, basta apenas fazer os cálculos do índice de produção de um terneiro, produzido através de inseminação artificial, e de outro, produzido através de monta natural, levando-se em conta o índice de fecundação, o preço de sêmen, o preço de touros (compra r manutenção), percentagem de nascimento, etc. 

2.3 Vantagens Sanitárias 

Existe, nos animais, a exemplo com o que acontece com a espécie humana, a ocorrência de doenças venéreas, de transmissão exclusiva pela cópula. São chamadas doenças de reprodução. Na monta natural, a presença de apenas uma vaca ou touro contaminado representa um perigo muito grande, devido a grande facilidade de disseminação de doenças. 

Nos programas de inseminação artificial, são usados touros comprovadamente livres de tais doenças, e, mesmo que exista num rebanho uma vaca doente, não há perigo de transmissão paras as outras, pois o material de aplicação de sêmen é individual. A inseminação artificial age como um meio profilático, no rebanho, por não existir o contato direto macho x fêmea. 

2.4 Vantagens Sociais 

O trabalhador rural, ao concluir um curso de inseminação artificial, é valorizado profissionalmente, obtendo, assim, um mercado de trabalho mais amplo e melhores oportunidades salariais. Além disso, a participação no curso lhe dá a oportunidade de conviver com elementos de zonas diferentes e ter uma maior aproximação com os técnicos. 


3. LIMITAÇÕES DA IA 

Assim como se pode disseminar as boas características de um reprodutor, pode-se multiplicar características indesejáveis se o reprodutor escolhido possuir defeitos zootécnicos. A questão da higiene do inseminador também é um risco, pois diversas doenças podem ser por ele transportadas (aftosa, brucelose, mamite, tuberculose) . Os órgãos genitais dos animais são muito sensíveis, e se os instrumentos empregados na inseminação estiverem contaminados, o inseminador provocará infecções que podem resultar em abortos, ou mesmo mortes. 



4. APARELHO GENITAL DA VACA 

O aparelho reprodutor feminino é composto dos seguintes órgãos: ovários, trompas ou ovidutos, útero, vagina e vulva. 

Ovários – São duas glândulas localizadas no interior do abdome, que podem variar um pouco em cada espécie animal e também com o estado de prenhez. Possuem a forma ovóide, ligeiramente achatados e medem, em média, 4 x 2, 5 cm. Os ovários produzem os óvulos e hormônios: estrogênio, progesterona e relaxina. 

Trompas – Também chamadas de ovidutos, são condutos que unem os ovários aos cornos uterinos, e é o local onde ocorre a fecundação ( encontro do espermatozóide com o óvulo) medem de 15 a 30 cm. 



Útero – É um órgão oco, de paredes musculosas e apresenta as seguintes partes: cornos uterinos, corpo do útero e colo do útero. Os cornos uterinos são em número de dois: o direito e o esquerdo e é onde se desenvolve o feto, durante a gestação. O corpo do útero é um cilindro oco, achatado, que se comunica, pela frente, com ambos os cornos e posteriormente com o colo uterino. O colo uterino é a porção mais posterior do útero. Possui as paredes espessas, no seu interior, existe o canal cervical que põe o útero em comunicação com a vagina. O canal cervical possui uma porção de anéis (2 a 4), que são bastante desenvolvidos em vacas que já tiveram muitas crias. A identificação deste órgão é de grande importância para o inseminador, pois o final do canal é onde deverá ser depositado o sêmen, sendo, por isso mesmo, chamado de "alvo do inseminador". O colo uterino mede mais ou menos 10cm de comprimento, e tanto a sua consistência quanto o seu tamanho variam de acordo com a idade do animal (nas novilhas ele é fino e mole). Varia também com raça. 

Vagina – É um órgão tubular, que vai do útero até próximo ao meato urinário. Mede de 25 a 30 cm. 

Vulva – É a porção externa do parelho genital feminino. Possui a forma de uma fenda vertical ou oblíqua. É composta das seguintes partes: dois lábios vulvares, duas comissuras, um clitóris e os vestítulo. 



5. TÉCNICAS DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL 

Existem diversos métodos conhecidos, muitos dos quais já fora de uso: inseminação vaginal – consiste na deposição do sêmen no interior da cavidade vaginal. Inseminação uterina – deposição no colo uterino. Inseminação intraperitonial – deposição do sêmen no ovário (método usado em aves). Inseminação cervical – consiste na deposição do sêmen no final do canal cervical (exatamente onde termina o colo uterino e inicia o corpo do útero). Esta técnica é, atualmente, a mais usada por apresentar um índice de fecundação superior aos demais. Uma grande vantagem desta técnica é a de eliminar o prejudicial contato do sêmen com a vagina, que pode causar retornos. 

4.1 Preparo para a inseminação 

A inseminação artificial, por ser um método de reprodução que conta com a participação do homem e de instrumentos, está sujeita a erros por desatenção ou falta de esclarecimento. Em todas as fases, devem ser observados os mínimos detalhes, pois apenas um pequeno descuido pode ser fatal. O preparo das vacas deve ser criterioso, levando-se em conta o seguinte: 

Os animais deverão ser preparados com bastante antecedência; 
Após reunidos em um mangueira, deverão ser classificados pelo tipo zootécnico e pela idade, devendo ser descartados os velhos e os que reunam condições de promover o melhoramento do rebanho; 
O diagnóstico de gestação também deve ser feito; 
A tarefa seguinte é a colocação de brincos; 
A seguir, faz-se a aplicação de tuberculina e coleta de sangue para o exame de brucelose, eliminando-se da reprodução os que reagirem positivamente para ambos os testes; 
Nos restantes, ou seja, os que forem considerados aptos, aconselha-se fazer uma aplicação de ADE e colocá-los em um potreiro com bastante pasto. 
Sal mineral e farinha de osso devem ficar à disposição dos animais, permanentemente, e em quantidades que satisfaçam às exigências. 

6. CIO 

O ciclo sexual é composto de quatro períodos: proestro, estro, metaestro e diaestro. O período de estro é o cio propriamente dito. O cio, na maioria das espécies, é o melhor momento para fecundação, porque nele ocorre a ovulação. 

" O sincronizador de cio, controla o ciclo estral, para saber de forma exata qual é o momento de começar o tratamento com hormônios, pra que ocorra a superovulação. Como a natureza animal produz normalmente um óvulo, que corresponderia a um filho, é necessário provocar a ocorrência de vários óvulos em um mesmo cio". (Becker, 1985, p 26) 

A vaca é exceção. Nela, a ovulação ocorre num período de mais ou menos 12 horas após o final do cio, que dura, em média, 18 horas, e se repete a cada 21 dias. Na monta natural, o touro possui instintos que permite reconhecer uma vaca em cio. Em inseminação artificial, o inseminador tem um papel semelhante ao touro para o reconhecimento do cio. Um mau reconhecimento do cio pode levar um trabalho de inseminação a um fracasso total, ocasionando, ao criador, grandes prejuízos (valor do sêmen, material de aplicação, pequena quantidade de terneiros nascidos noa no seguinte, etc.) 


6.1 Reconhecimento do cio 

O reconhecimento do cio pé de capital importância, pois não basta que uma vaca esteja em cio para ser inseminada. Existe, dentro do período de cio, um momento que é o mais apropriado para a inseminação. Quando uma vaca entra em cio, apresenta uma série de modificações, tanto no seu comportamento, como no aspecto de seus órgãos genitais. 

Mudanças no comportamento: inquietação, perda do apetite, monta e deixa-se montar; quando se toca nos órgãos genitais, levanta a cauda; pode emitir sons freqüentes. Outras mudanças: vulva inchada e avermelhada, corrimento de muco, que pode ser abundante em alguns animais e escasso em outros. Este muco deverá ser limpo, sem estrias de sangue ou pus. Na vaca leiteira, pode haver uma queda na produção de leite. 

A presença de sangue na vulva, ancas ou cauda é sinal indicativo que o cio já passou. Vaca não menstrua. Este sangue indica que a vaca esteve no cio há três ou quatro dias. 

Nos animais estabulados, ou semiestabulados, não há dificuldades em se fazer a identificação do cio. Devido ao contato diário do tratador com o animal, basta apenas a observação individual de cada um. Então, só serão observados os sinais de vulva, perda do apetite, diminuição do leite. Para os animais de campo, geralmente rebanhos com muitos animais, existe um esquema que facilita muito o trabalho, já que é impraticável a observação direta e individual. 

O inseminador, acompanhado de dois ou três campeiros, deverá fazer duas recorridas diárias ao rebanho, para identificar apartar as vacas em cio. A primeira pela manhã, das seis às nove horas e, a segunda, das 16h 30 min às 18h 30 min. O sinal que indicará o animal em cio, no campo, é o "deixar-se montar" por outro animal. Este outro animal pode ser uma vaca, um rufião previamente preparado, ou até mesmo um boi manso. Normalmente, a vaca que entra em cio fica inquieta, não pasta e se aproxima de uma companheira, tentando montá-la. Se esta outra não está no cio, ela não aceita a monta, ma, num determinado momento, ela salta sobre a que está em cio, que aceita, tomando as atitudes como se fosse receber a monta de um touro. 

Há outro meio de reconhecer animais em cio. Existem dispositivos que são adaptados na garupa das fêmeas. Ao receber a monta, estes dispositivos são comprimidos e mudam de cor, passando do branco para o vermelho. Outro método é o de usar espingardas que lançam cápsulas que, ao contato com o animal, rebentam e derramam uma tinta, marcando. 

Ao final de cada período de inseminação o inseminador deverá separar as vacas em cio e colocá-las num potreiro de espera, próximo ao tronco de inseminação. Caso o inseminador e campeiros tenham que separar somente um animal, tarefa esta muito difícil, que provoca muito movimento no gado, em geral, aconselha-se a usar duas ou três vacas mansas que irão servir de sinuelo. isto facilita o trabalho de aparte evitando aquela intensa movimentação, muito prejudicial as vacas que irão ser inseminadas. 

Os animais deverão ser conduzidos com calma, sem gritos ou correrias. Em fim, devem ser evitadas quaisquer situações que poderão deixar os animais inquietos. A presença de cachorro é altamente prejudicial ao bom andamento do trabalhos. 

A vaca que vai ser inseminada deverá ser contida, de modo que ofereça segurança tanto para ela quanto pra o inseminador. Se ela estiver se negando a entrar no brete, aconselha-se a meter, na sua frente, uma vaca mansa, de modo que quando ela estiver presa veja a que está a sua frente. Caso o tronco de contenção não possua tesoura, aconselha-se a não prender a cabeça do animal com corda, pois deixa-o inquieto. 

6.2 Horário de Inseminar 

A finalidade da inseminação é promover o encontro do espermatozóide com o óvulo, objetivando a fecundação. Por isso, ela deve ser realizada no momento apropriado, para que se dê realmente o encontro. Sabe-se que a vaca ovula mais ou menos doze horas após o término do cio; que o óvulo dura, aproximadamente 6 horas e que o espermatozóide dura 24 horas. Está comprovado que o melhor momento para inseminar uma vaca é nas última dez horas do período de receptividade e nas 10 primeiras após o término do cio. Porém, como não se pode precisar o início do período de receptividade, adota-se a seguinte regra prática: 

As vacas identificadas em cio, pela manhã, serão inseminadas na tarde do mesmo dia; 
As vacas identificadas em cio pela tarde serão inseminadas na manhã seguinte. 
As vacas de leite devem ser inseminadas antes da ordenha. Sempre que houver necessidade de banhos carrapaticidas ou vacinas deve se evitar faze-los no mesmo dia da inseminação. Também todos os trabalhos preparativos (colocação de brincos, teste de brucelose e tuberculose) deverão ser feitos com bastante antecedência. 



7. APRESENTAÇÃO DO SÊMEN 

O sêmen após coletado, é especialmente preparado para ser congelado. Os métodos de congelamento são quase perfeitos e os espermatozóides não são prejudicado. Após congelado, o sêmen é armazenado a uma temperatura de –196°C. A apresentação do sêmen congelado é maneira como ele está acondicionado. Existem atualmente, quatro formas: pellets, palhetas, ampola e minitubo. 

Pellets: é o sêmen, não possuindo embalagem. Este tipo está sendo substituído por outros três tipos, que serão vistos a seguir. A vantagem que apresenta é o baixo custo de produção e simplicidade no método de congelamento, que pode ser feito até mesmo nas fazendas. Apresenta as seguintes desvantagens: não possui embalagem, o que dificulta a identificação e facilita a contaminação; dificulta acondicionamento, pois, para uma pequena quantidade de sêmen é necessário um canister inteiro para guardá-lo; necessita de esterilização de tubos de hemólise e outros instrumentos, prática esta muito difícil de se conseguir com perfeição; nas fazendas, necessita-se de diluidor. Sua aplicação é feita com pipeta e bulbos plásticos. 

Ampolas: como o próprio nome diz, vêm acondicionado em ampolas, cujos dados de touro e sêmen vêm impressos na própria ampola. Também é aplicado com pipeta e bulbos plásticos. 

Palhetas: O sêmen em palhetas é o que vêm acondicionado em canudinhos plásticos, semelhante a um carga de caneta esferográfica. A palheta também contém impressos os dados do sêmen. Sua aplicação é feita com pistola metálica, protegida com uma bainha plástica. É o melhor método. Não há perigo de contaminação. O sêmen sai da palheta diretamente para o útero da vaca. A sua grande vantagem é a cor da palheta, identificando a raça. 

7.1 Armazenamento do sêmen 

Todo o sêmen congelado, seja ele em palhetas, pellets, ou ampolas, deverá ser armazenado em recipientes especiais, denominados botijões. Estes botijões deverão conter nitrogênio líquido, cuja temperatura normal é de –196° C. Estes aparelhos são construídos com material especial, possuem parede dupla e entre elas, existe vácuo e um material isolante térmico. Qualquer batida poderá quebrar o equilíbrio entre a s duas paredes do aparelho. 

7.2 Descongelação de ampolas 

Coloque água e pedras de gelo num recipiente de isopor, aguardando alguns minutos pra a água ficar numa temperatura em torno de zero graus centígrados. 

Retire a ampola da haste e coloque rapidamente dentro d’água. Em seguida formará uma crosta de gelo em torno da ampola, que deverá ser removida com as unhas sem retirar a ampola da água. 

Em aproximadamente cinco minutos a ampola estará descongelada; retire-a da água e seque com papel toalha. 

Com um cortador de ampolas, arranha o gargalo da ampola após quebre-o . a seguir com a pipeta e o bulbo aspire o sêmen contido na ampola e imediatamente inicie a inseminação. 



8. DEPOSIÇÃO DO SÊMEN NO APARELHO GENITAL 

Na execução da inseminação artificial deve ser obedecida a seguinte ordem: 

Introduza a mão no reto e localize o colo do útero; agarre-o firme, mas em apertar com muita força. 
O auxiliar limpa a vulva com papel toalha. 
Com o auxiliar abrindo os lábios vulvares, introduza na vagina a pipeta ou o pistolete com a ponta anterior levemente dirigida para cima. 
Distenda o colo para frente (em direção a cabeça da vaca) para desmanchar as pregas vaginais, bem como o fundo do saco vaginal. 
Sempre distendendo o colo para frente, vá introduzindo a pipeta ou o pistolete procurando localizar sua ponta anterior na abertura do colo. 
Faça pressão com a pipeta ou o pistolete para a frente enquanto traz o colo para trás com leves movimentos para facilitar e entrada da pipeta no canal do colo. 
A seguir, ultrapasse os anéis do colo, exercendo uma pressão constante, para frente, da pipeta enquanto traciona o colo para trás com leves movimento rotativos. 
A seguir puxe um pouco para trás a pipeta, pois o local de deposição do sêmen situa-se no final do colo. 


9. LIMPEZA DO MATERIAL 

Os tubos de hemólise devem ser lavados com água corrente após o término de cada inseminação. 

Quando tiver diversos tubos já usados, lavar novamente com água corrente e sabão de coco ou glicerina. Enxaguar com água limpa em abundância (se tiver água destilada, melhor). Usar escovas próprias para lavar os tubos. 

Enrolar cada tubo, individualmente em papel toalha, levar ao forno ou estufa e deixar secar até que o papel toalha fique bem quebradiço (no mínimo 20 minutos). 

Jamais use duas vezes um mesmo tubo sem lavar e esterilizar. 



10. CONCLUSÃO 

Com a apresentação deste trabalho, pode-se concluir que a inseminação artificial apresenta somente vantagens como, evitar doenças, maior proporção de fecundação, qualidade em raça e muitas outras. 

Todas essas vantagens englobam em um complexo que, só tende a lucros para os criadores de médio e alto porte. Já os pequenos não têm acesso à maioria delas, o que faz cair muito a qualidade de mercado. 

As técnicas de inseminação apresentadas devem ser analisadas, pois alguns descuidos do inseminador podem causar prejuízos ao pecuarista. Dentre as técnicas, a introdução do sêmen no útero da vaca, como visto, só tende a trazer vantagens, como eliminar o contato do sêmen com a vagina, podendo causar retornos. 

Com a evolução e o crescimento da criação do gado leiteiro, esse mercado de inseminação tende a aumentar ainda muito; isso só vem a trazer benefícios, como o declínio do preço de inseminações de boa qualidade. 

Conclui-se então, que boas inseminações são serão mais privilégios de poucos, mas sim necessidade de muitos que visam uma cabanha com melhoramento genético e uma alta produção de leite. 



11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

BARBOSA, Olavo. Investimento em Genética. A Granja, São Paulo, nº 526, p.32-8, jun. 1992. 

BECKER, Adyr Soares. Pesquisas mostram quais os melhores cruzamentos. A Granja, São Paulo, nº449, p.16-23, jun. 1985. 

MEINCKE, Werner. Vantagens e limitações da IA. A Granja, São Paulo, nº456, p.30, dez. 1985. 

RIBEIRO, Mauro Santos. Como se produz leite de primeiro mundo. A Granja, São Paulo, nº 543, p.45-8, jun. 1992. 

RODRIGUES, José Luiz. Conheça a melhor forma de qualificar o rebanho. A Granja, São Paulo, nº 453, p. 20-9, out. 1985. 

MULTIPLICAÇÃO sem milagres nem mistérios. A Granja, São Paulo, nº520, p.22-6, nov. 

1991.

Inseminação artificial em bovinos.



1 - Introdução
A inseminação artificial é um processo pelo qual o esperma coletado do
macho é processado, estocado e artificialmente introduzido no trato
reprodutivo da fêmea para fecundá-la. Tem se tornado uma das mais
importantes técnicas disponíveis para o melhoramento genético dos
animais domésticos.

2 - Vantagens da Inseminação Artificial
-Melhoramento do rebanho em menor tempo e a um custo mais
baixo, com sêmen de reprodutores comprovadamente superiores
para a produção de leite e carne.
-Controle de doenças. Pela monta natural tanto o touro como a vaca
podem transmitir doenças, o que pode ser controlado e mais
facilmente evitado com a prática da inseminação artificial .
-Permite ao criador cruzar suas fêmeas zebuínas com touros deraças européias e vice-versa, por meio da utilização de sêmen desses touros. Sabe-se que em muitas regiões do Brasil os touros
de origem européia dificilmente se adaptar-se-iam às condições de
manejo reprodutivo existentes.
- Touros de alto padrão genético com problemas adquiridos e
impossibilitados de efetuarem a monta natural, em razão de idade
avançada, problemas de aprumos e cascos, fraturas, aderência de
pênis, etc., poderão ser ainda utilizados por meio da inseminação
artificial.
- Aumenta o número de descendentes de um reprodutor. Um touro
cobre a cada ano, a campo, cerca de 30 vacas. Em regime de
monta controlada, pode servir a um máximo de 100 fêmeas, a cada
ano. Isso significa que, considerando ser de 10 anos a vida
reprodutiva de um touro, teremos um total de 300 a 1.000 filhos por
animal, durante sua vida. Com a inseminação artificial um
reprodutor pode ter mais de 100.000 filhos.
- Padronização do rebanho da fazenda pela utilização de um só
reprodutor para grande número de vacas.
- Reduz o risco de dispersão de doenças transmitidas sexualmente.


3 - Fatores condicionantes a implantação da técnica
Os resultados e o sucesso da implantação da técnica da inseminação
artificial vão depender basicamente do manejo adotado na fazenda, da
qualidade do sêmen utilizado e da eficiência do inseminador.
 
3.1 Manejo da Fazenda
É importante que as vacas inseminadas sejam examinadas em tempo
hábil para o diagnóstico de prenhez. Com um minucioso exame das
fêmeas que não apresentam bom desempenho reprodutivo, comunicar ao
técnico os casos de fêmeas paridas com mais de 90 dias sem
manifestação de cios, vacas com cios irregulares, vacas com infecção,
vacas repetidoras de cios, além outras alterações, para as devidas
providências.
Nota : A parceria entre o técnico, o criador , o inseminador e demais
empregados da fazenda é fundamental para o sucesso dessa atividade
através da troca de informações e estabelecimento de normas de manejo,
nutrição e controle sanitário do rebanho.


Alguns cuidados
Pastagens: boas pastagens com subdivisões, suplementação mineral
adequada em cochos cobertos, aguadas de boa qualidade e bem
distribuídas e suplementação na seca (feno, silagem, cana, capim para
corte etc.) asseguram ao rebanho bons níveis de produção de leite, ganho
de peso e fertilidade.
Vacinações : são indispensáveis para evitar o aparecimento de doenças,
assim como o combate aos vermes, carrapatos, moscas, etc.
Separar em lotes : para um bom manejo na fazenda é importante que os
animais sejam separados em lotes de acordo com sua categoria e
condição fisiológica: lote de bezerros desmamados, machos e fêmeas,
novilhas, garrotes, bois, vacas paridas, cheias e vazias, vacas solteiras,
cheias e vazias, vacas amojadas e touros. Identificação: todas as vacas
devem ser identificadas e cada animal deve ter uma ficha onde serão
lançadas todas as ocorrências. Essas fichas são um instrumento de
seleção, pois permitem identificar os animais mais e menos produtivos.


3.2 Manejo do Rebanho
Vacas amojadas: deverão permanecer em piquetes-maternidade até,
aproximadamente, 30 dias após o parto.
Bezerros recém-nascidos: verificar para que mamem o colostro,
preferencialmente, nas primeiras seis horas após o nascimento e proceder
a cura do umbigo.
Secagem das vacas: as vacas leiteiras devem estar secas 60 dias antes
da data prevista do parto.
Novilhas: fornecer boa alimentação às futuras vacas. Somente liberar as
novilhas para a reprodução após atingirem um desenvolvimento adequado
(combinação de peso e idade).
Pós-parto: as vacas devem ficar em repouso para a recuperação pósparto em razão do período final de gestação, parto e início de lactação,
além de aguardar a completa involução uterina. Recomenda-se somente
liberar a vaca para a inseminação artificial após decorridos 45 - 60 dias do
parto.
Desmame: em gado de corte, recomenda-se que seja feito o desmame
entre 7 e 8 meses de idade, quando machos e fêmeas deverão ser
separados. No entanto, a introdução de um programa de suplementação
dos bezerros ao pé da vaca, como o esquema de aleitamento interrompido
ou mesmo a implantação de um programa de desmama precoce, têm
trazido inúmeros benefícios à fertilidade do rebanho.


3.3 Instalações
Embora não chegue a ser fator limitante, é bom lembrar que para o bom
desempenho dos trabalhos de inseminação, algumas instalações básicas
são recomendadas:
- Tronco coberto ou brete;
- Cômodo para os materiais de seminação;
- Pia com água corrente.

O tronco deve ser coberto para proteger da luz solar e das águas de
chuvas, extremamente prejudiciais ao espermatozóides. Uma simples
adaptação nas instalações já existentes, na maioria das fazendas, é
suficiente para dotar a fazenda das condições necessárias.


4 - Procedimentos para a Inseminação Artificial
Na técnica reto-vaginal de inseminação artificial com palhetas, o
inseminador toma o aplicador devidamente recoberto pela bainha estéril
contendo a palheta de sêmen, e o introduz na vaca, conduzindo-o pelo
interior da cérvix até atingir o corpo do útero (local para a deposição do
sêmen). A maior parte do sêmen é aí depositada, sendo que pequena
porção remanescente pode ficar retida na cérvix quando da retirada do
aplicador.
Ocorrência do Cio
O intervalo médio de repetição de cio na vaca é de 21 dias, sendo que as
novilhas têm intervalo menor, enquanto as vacas mais velhas têm intervalo
maior. Assim, considera-se que o ciclo estral nas fêmeas bovinas pode
variar de 17 a 24 dias.
Por definição, cio ou estro é o período em que a fêmea aceita
passivamente a monta. O período que antecede ao cio, é conhecido como
período pré-cio e os sinais manifestados pelos animais são:
- Inquietação, nervosismo;
- Cauda erguida;
- Urina freqüentemente;
- Mugidos freqüentes;
- Vulva inchada e brilhante;
- Liberação de muco cristalino, transparente e semelhante à clara de
ovo;
- Monta as outras fêmeas, mas não aceita monta
O pré-cio dura de 4 a 10 horas. À partir de determinado momento, a fêmea
passa a aceitar a monta, iniciando o cio.
Deve ser observado que no cio o animal apresenta os mesmos sinais do
pré - cio, com a diferença de que no cio o animal monta e também aceita
monta. É importante observar que todos esses sinais vão diminuindo em
freqüência e em intensidade, à medida que se aproxima o final do cio.
Na vaca, o cio dura de 10 até 18 horas, ou seja, a fêmea aceita a monta
por 10 a 18 horas. O final do cio será então caracterizado pelo momento
em que a fêmea não mais aceitar a monta e é o momento ideal para que a
inseminação seja feita.
Reconhecimento do Cio
Recomenda-se de duas a três observações diárias de cio, devendo-se
dedicar-se pelo menos 40 minutos a cada observação. A utilização ou não
de rufiões, com ou sem buçal marcador, o emprego de vacas androgenizadas ou outros auxiliares, bem como os horários de observação
de cio deverão ser orientados por um técnico que assiste a fazenda.


5 - Horário apropriado para a Inseminação Artificial
Dadas as dificuldades de se proceder a inseminação artificial no horário
ideal (final de cio), recomenda-se um esquema prático, proposto por
Trimberger e que há muito vem sendo utilizado com bons resultados:
-Vacas observadas em cio pela manhã (aceitando monta) deverão
ser inseminadas à tarde do mesmo dia.
- Vacas observadas em cio à tarde devem ser inseminadas na manhã
do dia seguinte, logo ao amanhecer.
Obs.: Deve-se salientar que a maioria das fêmeas entra em cio à noite e
de madrugada, sendo observadas em cio pela manhã, o que significa que
a maioria das inseminações serão realizadas à tarde.
A inseminação artificial também pode ser realizada em horário único com
algumas vantagens: é mais prático e de fácil execução; as fêmeas em cio
não ficam presas aguardando a inseminação. Elas são recolhidas ao
curral, inseminadas e imediatamente após devolvidas ao lote, sendo assim
submetidas a níveis menores de estresse.


6 - Qualidade do Sêmen
Os reprodutores devem ser cuidadosamente selecionados. Devem
apresentar testículos completamente normais, produzir sêmen de alta
qualidade e serem livres de doenças.
Devem ser submetidos a exames de saúde periódicos e seguir todos os
códigos de saúde.
Após a coleta, somente o sêmen de alta qualidade deve ser processado e
armazenado. O sêmen pode ser armazenado satisfatoriamente por longo
tempo quando mantido em nitrogênio líquido a 196 º C negativos. A falta
de nitrogênio líquido, mesmo por poucas horas, pode resultar na completa
destruição de um banco de sêmen.
Obs.: O manejo inadequado do sêmen durante a estocagem também
diminui a fertilidade.


7 - O inseminador
Dentro de um programa de inseminação artificial, o inseminador constituise em peça fundamental. De sua dedicação e condição de trabalho vão
depender, em grande parte, os resultados. É preciso que o inseminador
seja treinado em noções básicas sobre o animal e seu manejo, utilização
do sêmen e o manejo adequado dos equipamentos.
Outro aspecto importante e muitas vezes, responsável por insucessos nos
resultados da inseminação, é a higiene durante o processo: higiene
pessoal , com o animal; das instalações e com o material utilizado.