Mario de Andrade E Oswald de Andrade
Introdução
O movimento modernista
no Brasil contou com duas fases: a primeira foi de 1922 a 1930 e a segunda de
1930 a 1945. A primeira fase caracterizou-se pelas tentativas de solidificação
do movimento renovador e pela divulgação de obras e idéias modernistas.
Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira.
Várias obras, grupos, movimentos, revistas e manifestos ganharam o cenário intelectual brasileiro, numa investigação profunda e por vezes radical de novos conteúdos e de novas formas de expressão. Em oposição a essas tendências, os movimentos Verde-Amarelismo e Anta, defendiam um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para onazifascismo.
Dentre os muitos escritores que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos Oswald de Andrade, Mário de Andrade.
Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira.
Várias obras, grupos, movimentos, revistas e manifestos ganharam o cenário intelectual brasileiro, numa investigação profunda e por vezes radical de novos conteúdos e de novas formas de expressão. Em oposição a essas tendências, os movimentos Verde-Amarelismo e Anta, defendiam um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para onazifascismo.
Dentre os muitos escritores que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos Oswald de Andrade, Mário de Andrade.
Mário de Andrade: Histórico
Quando eu morrer
quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos[...]
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos[...]
Cidade onde ele estudou música e cedo começou sua
carreira como crítico de arte, em jornais e revistas. Com 20 anos escreveu seu
primeiro livro, Há uma gota de sangue em
cada poema, onde ele fazia uma critica encima da
primeira guerra mundial, assim defendendo a paz.
Mário de Andrade, que no inicio de carreira
era denominado Mário Sobral, teve grande importância na implantação do
Modernismo no Brasil. Suas obras traziam características modernistas, que ele
gostava de dar destaque, em 1922, meses após a Semana, publicou o seu Prefácio interessantíssimo; e em 1925,
quando se articularam revistas e movimentos por todo o país, lançou o ensaio A escrava que não é Isaura, onde
demonstrava suas concepções iniciais sobre a arte moderna.
Autor modernista, que tinha uma frase como
lema “o passado é lição para se meditar e não para se reproduzir”, o que se
apresentava bem em suas obras, a conciliação do passado com o presente, assim
ganhando a consideração da visão critica sobre vários autores do passado.
Mário era um homem com muitos interesses,
tanto pela música, pelo folclore, pela antropologia, pela etnografia, pela
psicologia e por outras áreas do conhecimento humano.
Ele nunca saiu do Brasil, assim viajando por
este imenso país e aplicando as suas obras conhecimento adquiridos por cada
estado que passará, suas obras são recheadas de cultura brasileira, sendo assim
considerado um “turista aprendiz”, pois viajará pelo país em busca de
conhecimentos, como: poemas, canções populares, modinhas, ritmos, festas
religiosas e de folia, lendas e músicas indígenas, objetos de arte. Se
transformando no diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo,
foi também, professor universitário, sempre prestando serviços de grande valor
na área da cultura e da educação.
Mário de Andrade encarava sua intensa
atividade cultural como missão, ele queria ser útil no processo de reconstrução
de um Brasil que se trans formava social, política, econômica e culturalmente.
Ele morreu em São Paulo - SP em 25 de fevereiro de
1945, vitimado por um enfarte do miocárdio, em sua casa. Foi enterrado no
Cemitério da Consolação.
Obras publicadas por Mário de Andrade:
- Há uma gota de sangue em cada poema, 1917
- Paulicéia desvairada, 1922
- A escrava que não é Isaura, 1925
- Losango cáqui, 1926
- Primeiro andar, 1926
- A clã do jabuti, 1927
- Amar, verbo intransitivo, 1927
- Ensaios sobra a música brasileira, 1928
- Macunaíma, 1928 (uma de suas obras mais importantes)
- Compêndio da história da música, 1929 (reescrito como Pequena história da música brasileira, 1942)
- Modinhas imperiais, 1930
- Remate de males, 1930
- Música, doce música, 1933
- Belasarte, 1934
- O Aleijadinho de Álvares de Azevedo, 1935
- Lasar Segall, 1935
- Música do Brasil, 1941
- Poesias, 1941
- O movimento modernista, 1942
- O baile das quatro artes, 1943
- Os filhos da Candinha, 1943
- Aspectos da literatura brasileira 1943 (alguns dos seus mais férteis estudos literários estão aqui reunidos)
- O empalhador de passarinhos, 1944
- Lira paulistana, 1945
- O carro da miséria, 1947
- Contos novos, 1947
- O banquete, 1978
- Será o Benedito!, 1992
- Paulicéia desvairada, 1922
- A escrava que não é Isaura, 1925
- Losango cáqui, 1926
- Primeiro andar, 1926
- A clã do jabuti, 1927
- Amar, verbo intransitivo, 1927
- Ensaios sobra a música brasileira, 1928
- Macunaíma, 1928 (uma de suas obras mais importantes)
- Compêndio da história da música, 1929 (reescrito como Pequena história da música brasileira, 1942)
- Modinhas imperiais, 1930
- Remate de males, 1930
- Música, doce música, 1933
- Belasarte, 1934
- O Aleijadinho de Álvares de Azevedo, 1935
- Lasar Segall, 1935
- Música do Brasil, 1941
- Poesias, 1941
- O movimento modernista, 1942
- O baile das quatro artes, 1943
- Os filhos da Candinha, 1943
- Aspectos da literatura brasileira 1943 (alguns dos seus mais férteis estudos literários estão aqui reunidos)
- O empalhador de passarinhos, 1944
- Lira paulistana, 1945
- O carro da miséria, 1947
- Contos novos, 1947
- O banquete, 1978
- Será o Benedito!, 1992
OSWALD DE ANDRADE
José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São
Paulo em 1890. E viveu numa época em que São Paulo se despertava para a
industrialização e a tecnologia. Abria-se um novo mundo urbano, que Oswald logo
assimilaria fascinado: o bonde elétrico, o rádio, o cinema, a propaganda com
sua linguagem-síntese.
|
Oswald tinha 22 anos quando fez a primeira
de várias viagens à Europa (1912), onde entrou em contato com os movimentos
de vanguarda. Mas só depois de dez anos empregaria as técnicas desses
movimentos.
|
Nenhum outro escritor do Modernismo ficou
mais conhecido pelo espírito irreverente e combativo do que Oswald de Andrade.
Sua atuação intelectual é considerada fundamental na cultura brasileira do
início do século. A obra literária de Oswald apresenta exemplarmente as características
do Modernismo da primeira fase.
Em Pau-Brasil, põem em prática as propostas
do manifesto do mesmo nome. Na primeira parte do livro, "História do
Brasil", Oswald recupera documentos da nossa literatura de informação,
dando-lhe um vigor poético surpreendente.
Na segunda parte de Pau-Brasil - "Poemas
da colonização" -, o escritor revê alguns momentos de nossa época
colonial. O que mais chama a atenção nesses poemas é o poder de síntese do
autor. No Pau-Brasil há ainda a descrição da paisagem brasileira, de cenas do
cotidiano, além de poemas metalingüísticos.
Em 1937 publicou-se “O rei da vela”, peça que
focaliza a sociedade brasileira dos anos 30. Pelo seu caráter pouco
convencional, só foi levada a cena trinta anos depois, integrando o movimento
tropicalista.
OBRASHumor:
Revista “O Pirralho” — crônicas em português macarrônico sob o pseudônimo de Annibale Scipione (1912 — 1917)
Poesia:
Pau-Brasil (1925)
Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927)
Cântico dos cânticos para flauta e violão (1945)
O escaravelho de ouro (1946)
Romance:
A trilogia do exílio: I — Os condenados, II —A estrela de absinto, III — A escada vermelha (1922-1934)
Memórias sentimentais de João Miramar (1924)
Serafim Ponte Grande (1933)
Marco Zero: I - A revolução melancólica, II — Chão (1943).
Memórias: Um homem sem profissão (1954)
Teatro:
A recusa (1913)
Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (1916) (com Guilherme de Almeida)
O homem e o cavalo (1934)
A morta (1937);
O rei da vela (1937).
O rei floquinhos (1953)
Manifestos:
Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924)
Manifesto Antropófago (1928)
Manifesto Ordem e Progresso (1931)
Teses, artigos e conferências publicadas:
O meu poeta futurista (1921)
A Arcádia e a Inconfidência (1945)
A sátira na poesia brasileira (1945)
Versões e adaptações:
Filme “O homem do Pau-Brasil”, de Joaquim Pedro de Andrade, baseado na vida de Oswald de Andrade (1980)
Filme “Oswaldinianas”. Formado por cinco episódios, dirigidos por Julio Bressane, Lucia Murat, Roberto Moreira, Inácio Zatz, Ricardo Dias e Rogério Sganzerla (1992)
Publicações póstumas:
A utopia antropofágica – Globo
Ponta de lança – Globo
O rei da vela – Globo
Pau Brasil – Obras completas – Globo
O santeiro do mangue e outros poemas – Globo
Obras completas – Um homem sem profissão – Memórias e confissões sob as ordens de mamãe – Globo
Telefonema – Globo
Dicionário de bolso – Globo
O perfeito cozinheiro das almas desse mundo – Globo
Os condenados – A trilogia do exílio – Globo
Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade – Globo
Os dentes do dragão – Globo
Mon coeur balance – Le Âme - Globo
Dados obtidos no livro "O Salão e a Selva: uma biografia ilustrada de Oswald de Andrade", Editora da UNICAMP: Editora Ex Libris - Campinas (SP), 1995, de Maria Eugenia Boaventura; no sítio Itaucultural e em outros sobre o biografado.
Conclusão
Concluí se que as obras de Oswald de Andrade
refletem na linguagem literária, pois não se adequava aos modelos de literatura
da época, sua obra original era repleta de humor e ironia. Incorporou à sua
obra os neologismos, a falta de padronização, além da linguagem coloquial,
citada anteriormente.
Suas principais obras são: Poesia
pau-brasil, Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade, Memórias
Sentimentais de João Miramar, Serafim Ponte Grande, Os condenados.
Já Mario de Andrade possuiu uma característica literária baseada na cultura
brasileira, por onde buscou conhecer cada uma delas pessoalmente, assim
colocando em suas obras, com um toque de humor. Alem disso, cativou vários
críticos literários, envolvendo suas obras num contesto histórico entre o
passado e a atualidade.
Referencia Bibliográfica
Disponível
em http://www.culturabrasil.pro.br/oswald.htm. Acesso em 10
de Maio de 2012.
Disponível
em http://www.releituras.com/oandrade_bio.asp. Acesso em 10 de
Maio de 2012.
CEREJA,
Willian Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português, Linguagens 3. 7º edição.
Editora: SARAIVA. São Paulo, 2010. 416 p.
Imagem:
Disponível em: http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/biografias/mariodeandrade.jpg.
Acesso em 01 de maio de 2012.
Tectona grandis (Teca)
Tectona
grandis (Teca)
A teca é uma árvore de grande porte,
nativa das florestas tropicais no subcontinente índico e no sudeste asiático,
principalmente na Índia, Burma, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã e Java. A teca
é uma espécie de alta adaptabilidade, ocorrendo em áreas com precipitação anual
de 800 a 2500 mm, e temperaturas extremas de 2°a 42°C, porém não resiste à
geada. Devido a sua dispersão geográfica e à variedade de ambientes onde ocorre
naturalmente.
Ela é
cultivada desde o século XVIII, quando havia grade demanda de madeira para
construção naval. Cultura tradicional no sul da Ásia, onde é cultivada em
grande escala. Atualmente, a área mundial plantada excede os 3 milhões de
hectares, sendo os maiores produtores os países asiáticos, e outros países
tropicais, como: Togo, Camarões, Zaire, Nigéria, Trinidad, Honduras e Brasil, possuem
produção inferior.
Apesar de
somente poder ser cultivada em regiões tropicais, a madeira é muito procurada
no continente europeu. Por portar uma madeira de alta qualidade e pela sua
rusticidade, ela se torna muito apreciada mundialmente.
Informações
Botânicas
A Tectona
grandis L.f. pertence à família botânica Verbenaceae. As folhas são
coriáceas e medem de 30 a 60 cm de comprimento por 20 a 35 cm de largura. Os
limbos são largos e elípticos, glabros na face superior e tomentosos na face
inferior.
As flores
são pequenas, de coloração branco-amarelada e se dispõem em panículas de até 40
x 35 cm.
Os frutos
são do tipo drupa, cilíndricos, de cor marrom, com diâmetro de aproximadamente
1 cm, apresentando quatro cavidades, onde se encontram as sementes (uma por
cavidade), mas nem todas germinam. A primeira frutificação ocorre aos 5 ou 6
anos de idade.
A árvore pode
atingir de 25 a 35m (raramente acima de 45m) de altura e diâmetro de 100 cm ou
mais. O tronco é revestido por uma casca espessa, reto e resistente ao fogo.
Perde as folhas durante a estação seca, pois se trata de uma essência
caducifólia.
A Madeira
O alburno
é estreito e claro. Essa beleza peculiar faz da teca uma madeira muito
procurada para decoração de interiores luxuosos e mobiliários fino.
Além do
efeito decorativo, também pode ser utilizada, para: construção naval, laminação
e compensados, lenha e carvão vegetal.
A
densidade média da teca é 0,65g/cm³ e, apesar de ser leve, apresenta boa
resistência a peso, tração e flexão, semelhante ao mogno brasileiro.
A madeira
é estável; praticamente não tem alteração durante a secagem. A estabilidade
permite que a madeira resista à variação de umidade no ambiente.
Ela
apresenta boa durabilidade. Não havendo muitos registros sobre o ataque de
pragas que possam comprometer o plantio. Essa durabilidade convém da
tectoquinono, que é um preservativo natural das células da madeira.
Tanto
alburno, quanto cerne contém uma substância semelhante a um látex, denominado
caucho, que reduz a absorção de água e lubrifica as superfícies.
Em todos
os países onde a teca é explorada, toda a madeira é aproveitada. Sendo
utilizadas para a fabricação de móveis, portas, decoração interna e também na
produção dos mais diversos utensílios. A madeira de pequeno diâmetro é usada na
edificação de construções rústicas, como vigamento, esteio ou madeiramento do
telhado.
Plantio
Planta de
clima tropical úmido, caracterizado por verão chuvoso e inverno seco. Deve-se
atentar para os seguintes fatores:
·
Precipitação
anual entre 1200 e 2500 mm.
·
Período
seco de 3 a 5 meses, coincidente com o período de temperaturas mais amenas. A
qualidade da madeira depende desse período seco.
·
A
temperatura média anual deve estar acima de 22°C. O melhor crescimento das
mudas de teca ocorrem quando as temperaturas diurnas variam entre 27°e 36°C e
noturnas entre 22°e 31°C.
A teca é
exigente de um solo fértil e com profundidade de mais de 1,5 metros, permeável,
bem drenado e com capacidade média a alta de retenção de água. Os solos de
textura média são os mais indicados. Seu melhor desenvolvimento está
relacionado à riqueza dos nutrientes, matéria orgânica e pH próximo da
neutralidade.
Os
terrenos de declividade alta devem ser evitados, por causa da erosão. Caso
estes sejam utilizados, recomenda-se a construção de obras de conservação de
solo (curvas de nível e terraços) e o uso das técnicas de cultivo mínimo.
Produção
de Mudas
Produção
de mudas por frutos, deve-se observar a qualidade do lote dos frutos. Os frutos
de teca colocados imersos em água corrente por 24 a 48 horas deixa a germinação
uniforme. Na sementeira o melhor substrato é a areia com terra orgânica e a
temperatura ótima é alcançada cobrindo-se a sementeira com lona plástica preta
por 96 horas. As plântulas germinadas são então repicadas para saquinhos
plásticos ou tubetes, estando prontas para plantio entre 3 a 4 meses.
Outra alternativa é por raiz nua, conhecida
com “muda-toco”, que consiste em 10 cm da raiz pivotante e 2 cm do caule.
Podendo ser transplantada para recipientes individuais ou ser plantada
diretamente no campo. Apresenta a desvantagem de ter tempo maior para produção
de mudas, com um período de 4 a 11 meses.
Produtividade:
Os dados que seguem são referentes a plantios realizados
em condições adequadas de cultivo (solo, clima, qualidade de semente etc.):
·
A produtividade média, no ciclo recomendado
para produção de madeira comercial, situa-se entre 10 a 15 m³/ha/ano,
totalizando de 250 a 350 m³/ha ao.longo de 25 anos e num regime com 4
desbastes;
·
De 50 a 60% da produção total é colhido no
corte final; esse volume corresponde a valores entre 150 e 230m³/ha.
·
A madeira do primeiro desbaste é considerada
não-comercial, porém tem aplicações no meio rural, podendo gerar receita
significativa.
·
Os custos de implantação e manutenção são
amortizados nos segundo e terceiro desbastes.
·
O quarto desbaste e o corte final concentram
o resultado econômico do do reflorestamento com Teca.
·
Atualmente, o preço FOB do metro cúbico de
madeira de teca comercial varia de US$ 400 a US$ 3000, dependendo da qualidade
de madeira (com ou sem nós) e bitola das toras.
Exploração
da Teca no Brasil:
Foi
nas terras do Mato Grosso, e recentemente, que começou a exploração comercial
de teca no país. Embora a planta tenha sido trazida para o Brasil no início do
século 19 pelos portugueses, somente em 1971 uma empresa começou a explorá-la.
Pioneira no cultivo, a Cáceres Agro florestal, no município do mesmo nome,
começa a colher hoje, passada quase 32 anos, os lucros de uma espera paciente.
Com uma produção de 6 mil metros cúbicos anuais em 1.400 hectares, a empresa já
exporta toras para a Ásia. Segundo especialistas, em 25 anos a rentabilidade de
cada hectare pode chegar a 50 mil dólares.
Mercado
A
produção mundial é de, aproximadamente, 3 milhões de metros cúbicos por ano,
sendo que a maior parcela é consumida pelo mercado interno dos países
produtores. O mercado internacional consome cerca de 500 mil metros cúbicos,
mas a oferta ainda é muito menor que a demanda.
O mercado
brasileiro também é visto como um grande potencial de consumo, assim como de
produção. Afinal, o Brasil possui áreas adequadas para plantio de teca e uma
floresta tropical para preservar.
Como é o Mercado ?
·
Maiores
produtores: Indonésia, Mianmar e Sri Lanka.
·
Maiores
importadores: Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Dinamarca, Emirados Árabes,
EUA, Japão, Holanda, Itália e Reino Unido.
Referencia
Bibliográfica
Tétano
É uma doença infecciosa, não contagiosa, altamente fatal, causada pela toxina de uma bactéria chamada Clostridium tetani, que entra no organismo através de uma lesão prévia. É caracterizada por rigidez muscular (tetania), podendo levar à morte por parada respiratória ou convulsões.
Os sinais clínicos ocorrem uma a três semanas após a infecção bacteriana. Em bovinos e ovinos os casos ocorrem após manejo como castração, descorna, tosa ou remoção da cauda, por falta de cuidados higiênicos.
Ao iniciar a doença deve ser administrado soro antitetânico na dose 100.000 UI por via intravenosa, repetindo quando necessário. Fornecer alimentação líquida e de fácil deglutição. Conservar o animal em abrigo isolado, escuro e sossegado.
Em bovinos, ovinos e caprinos somente os cuidados higiênicos após manejo de castração, descorna, tosquia, corte de cauda são suficientes para evitar a doença.
Acomete todos os animais de sangue quente, inclusive o homem. Pelo fato da doença, na maior parte dos casos, ser causada por contaminação de ferimentos (na pele e nas mucosas) por terra, é também chamada de “Doença Telúrica”, ou seja, originária da terra.
São particularmente sensíveis à doença os animais da espécie equina, mais sensíveis até que o homem. Os bovinos são os menos sensíveis à doença.
Ao penetrar através de um ferimento ou solução de continuidade da pele em um animal suscetível, o microorganismo permanece aguardando o momento em que ocorre a cicatrização, fechando o ferimento, criando então um ambiente de anaerobiose (falta de oxigenação) para se transformar em sua forma vegetativa. É nessa fase que tem início a secreção e liberação da potente toxina (veneno) pelo germe, sendo essa a responsável pelo desencadeamento dos sintomas da doença, a qual é denominada de Toxina Tetânica. Entre as toxinas mais potentes conhecidas, a tetânica só é superada pela Toxina Botulínica, secretada também por outro germe do mesmo grupo, o Clostridium botulinum.
Pode ocorrer em animais de qualquer idade e sexo. Em animais recém-nascidos, a doença ocorre geralmente pela contaminação do umbigo pelo C. tetani. Em humanos, antigamente, era a doença conhecida como “Mal dos Sete Dias”.
Como reconhecer
Os animais apresentam andar rígido com os membros em forma de cavalete, tremores musculares, trismo mandibular (impossibilidade de abrir a boca), prolapso da terceira pálpebra, rigidez da cauda, orelhas eretas (orelhas entesouradas, animal em estado de alerta), hiperexcitabilidade, rigidez dos músculos da cara e dificuldade ou impossibilidade para defecar e urinar. Podem ocorrer convulsões, inicialmente quando há estímulo por qualquer barulho e, posteriormente, de forma espontânea.
O diagnóstico de tétano é realizado, essencialmente, pelo exame clínico, pelos sintomas e pelos dados epidemiológicos (história recente de lesão acidental ou cirúrgica).
Como tratar
Fazer drenagem e limpeza dos ferimentos com água oxigenada, infiltração de Penicilina G em torno da ferida e administração intramuscular de Penicilina G Potássica na dose de 25.000 UI/kg de peso, duas vezes ao dia até a cura do animal.
Fazer o uso de produtos relaxantes musculares.
Como evitar
Em equinos são necessários maiores cuidados, como: vacinação anual dos animais; uso de soro antitetânico antes de intervenções cirúrgicas ou depois de ferimentos que possam facilitar a infecção; evitar o contato das feridas profundas com terra ou qualquer sujeira, cuidados de assepsia do instrumento cirúrgico e da anti-sepsia das feridas, desinfetando-as, tão cedo quanto possível; eliminação de objetos pontiagudos que possam causar ferimentos acidentais.
HISTÓRIA
Conquanto
o tétano e sua sintomatologia fossem conhecidas desde a antigüidade, sendo
descrito por Hipócrates, sua causa continuou sendo um mistério até o século
XIX.
As
primeiras informações sobre a transmissão da doença foram feitas por Carle e
Rattone, que, em 1884, a reproduziram em coelhos. No ano seguinte, Nicoleir
reproduziu e confirmou aquelas pesquisas e observou nas feridas o agente do
tétano, observando ainda que o mesmo bacilo esporulado podia encontrar-se na
terra.
Tizzoni
e Catani, em 1889, conseguiram isolar o bacilo do tétano em cultivo puro. Faber,
em 1980, demonstrou a existência da toxina tetânica. No ano de 1892, Behring e
Kitasato descobriram um método de imunização eficaz, com o toxóide ou toxina
envelhecida, o que foi aperfeiçoado por Ramom e Descombey, em 1925, que
detoxicaram a toxina pela ação do formol, denominando-a anatoxina.
Art. 116- RIISPOA: “É proibida a matança em comum de animais que no ato de inspeção ante-mortem, sejam suspeitos das seguintes zoonoses...
29/04/12
Qualidade do leite
Introdução
A qualidade do leite é um tema da maior importância para produtores leiteiros da Zona Bragantina. Sabe-se que a principal razão do baixo consumo dos produtos lácteos produzidos nessa região é a desconfiança dos consumidores com respeito à qualidade. Estudos recentes efetuados por Vieira et al. 2001a, deram conta que a qualidade físico-química do leite estava dentro dos limites aceitáveis. Já a qualidade microbiológica foi questionável, necessitando se fazer um trabalho de conscientização junto aos produtores, para melhorar as condições higiênico-sanitárias dos sistemas de produção.
Conforme o Programa Nacional da Qualidade do Leite, as normas restritas de qualidade deveriam ser implementadas na Região Norte, em julho de 2004. Isso iria exigir um grande esforço de todo o setor para se ajustar à legislação e poder participar do mercado cada vez mais exigente.
Qualidade do leite
A qualidade do leite é muito importante para as indústrias e produtores, tendo em vista sua grande influência nos hábitos de consumo e na produção de derivados. Por isso, é necessário conhecer alguns conceitos sobre a qualidade do leite, referentes à composição e condição higiênico-sanitária.
Ao levar a sua matéria-prima a um centro processador ou industrial, o produtor tem o seu leite submetido a testes de avaliação, para verificar a sua qualidade. São efetuadas análises, conforme as normas vigentes, visando garantir produtos com o menor risco possível para a população. A qualidade do leite é definida pelos seguintes critérios:
Constituição físico-química
Na composição do leite, constam a parte úmida, representada pela água, e a parte sólida, representada por dois grupos de componentes: o extrato seco total e o extrato seco desengordurado.
Extrato seco total - É representado pela gordura, açúcar, proteínas e sais minerais. Quanto maior esse componente no leite, maior será o rendimento dos produtos.
Extrato seco desengordurado - Compreende todos os componentes, menos a gordura (leite desnatado). Por lei, o produtor não pode fazer a remessa dessa fração do leite para a indústria. Apenas as indústrias podem manejá-la, por meio de desnatadeiras, destinando-a à fabricação de leite em pó, leite condensado, doces, iogurtes e queijos magros.
Gordura - É o componente mais importante do leite. O leite enviado à indústria deve conter, no mínimo, 3% de gordura. Na indústria, a gordura dá origem à manteiga, sendo o seu teor responsável pelo diferencial no preço do leite pago ao produtor.
Água - Maior componente do leite, em volume. Há cerca de 88% de água no leite. Se, de alguma forma, água for adicionada ao leite, o peso do produto será alterado sensivelmente. Logo, isso constitui uma fraude.
Densidade
É a relação entre peso e volume. Assim, um litro de leite normal pesa de 1.028 a 1.033 gramas. Abaixo ou acima desse intervalo, o leite pode ter a sua qualidade comprometida e ser recusado pelas indústrias. Deve-se considerar que um leite com um alto teor de gordura, como por exemplo, acima de 4,5%, terá provavelmente uma densidade abaixo de 1.028 gramas. Para evitar fraudes por aguagem, a densidade do leite é medida, diariamente, na indústria.
Fatores que afetam a qualidade do leite
Para a manutenção dos níveis adequados dos componentes do leite, é necessária uma ração balanceada, rica em carboidratos, aminoácidos essenciais e proteína de alta qualidade. Também, afetam a composição do leite a raça do animal, a freqüência de ordenha e a maneira de ordenhar.
Alimentação
Uma alimentação sadia e abundante é necessária para o funcionamento da glândula mamária e a síntese de todas as substâncias que vão auxiliar a formação do leite. Quando se ministra uma ração equilibrada, a composição do leite não é alterada.

Raça do gado
A raça influencia o volume de leite produzido e a riqueza em gordura. A raça holandesa, por exemplo, tende a produzir mais leite, enquanto que as raças Jersey e Guernesey produzem mais leite e gordura.


Ordenha
O componente do leite mais sensível ao manejo da ordenha é a gordura.

Manejo do bezerro
No início da ordenha, o leite é sempre mais ralo, aumentando o teor de gordura à medida que se aproxima do final. Isso ocorre porque a gordura, por ser mais leve, tende a ficar na superfície do úbere. Então, se o bezerro mama no final, ele tem acesso a um leite melhor. Do ponto de vista comercial do leite, é melhor que a cria mame no início da ordenha, por um tempo suficiente para seu sustento.
Ordem da ordenha
A primeira ordenha produz um maior volume de leite com menor teor de gordura. Ao contrário, na segunda ordenha, o leite é rico em gordura e a produção diminui. O descanso noturno promove a quantidade de leite e os exercícios diurnos favorecem a formação de gordura.
Avaliação higiênico-sanitária do leite
O direito do consumidor em adquirir um produto digno de confiança é considerado uma conquista do cidadão. Neste item, abordam-se os cuidados com a matéria-prima, desde a fonte de produção e o caminho por ela percorrido, até a plataforma de recepção da indústria. Nessa ocasião, algumas análises obrigatórias são feitas para avaliação da qualidade higiênico-sanitária do leite, tais como a acidez, prova do álcool-alizarol, prova de redutase do azul de metileno e outras complementares, como a contagem total de bactérias.
Acidez do leite
Ao ser ordenhado, o leite não apresenta nenhuma fermentação. Depois de algum tempo, com a ação da temperatura e com a perda dos inibidores naturais, o leite passa a produzir um tipo de fermento que é medido pela acidez. Portanto, é atribuída à acidez a perda do leite do produtor nas usinas, quando a fermentação produzida ultrapassa a 1,8 gramas por litro de leite, que é igual 18o D (18 graus Dornic).
Prova do álcool-alizarol
Essa análise não mede exatamente a acidez do leite, mas sim, verifica sua tendência a coagular. O leite que coagula nessa prova não resiste ao calor, portanto, não pode ser misturado aos demais.
Teste de redutase do azul de metileno (TRAM)
Nesta prova avalia-se a atividade das bactérias presentes no leite, por meio de um corante. Quanto mais rápido for o tempo de descoloração do corante de azul para branco, maior é o numero de micróbios existentes. No Brasil, o leite é aceito quando a descoloração ocorre a partir de duas horas e trinta minutos. Esse teste classifica o leite brasileiro nos tipos A, B e C.
Contagem total de bactérias
É um método mais preciso que determina, com precisão, o número de bactérias existente no leite. Para o leite tipo C, mais comumente produzido no Brasil, é utilizado como um controle complementar da qualidade do leite.
Recomendações práticas
A qualidade do leite cru está relacionada ao número inicial de bactérias no úbere do animal e no ambiente externo, no ato da ordenha. Um leite é de boa qualidade quando, ao sair do úbere do animal, contém aproximadamente de 1.500 a 2.500 bactérias por cm3 (Vargas, 1976). Portanto, para que o leite atenda às exigências higiênico-sanitárias, algumas práticas têm que ser observadas, levando em consideração o animal, o material de coleta, que entra em contato diretamente com o leite, o ambiente geral e o ordenhador, conforme as recomendações a seguir.
Local de ordenha
Deve ser bem arejado, com acomodações adequadas ao serviço, permitindo uma higiene completa. Pelo menos, as salas de ordenha devem dispor de piso cimentado e água em abundância para a higiene dos animais e dos ordenhadores.
Cuidados com o animal
Para produzir leite de boa qualidade, os animais devem estar em boas condições sanitárias. As vacas devem estar vacinadas contra brucelose e febre aftosa, e terem aparados os pêlos da cauda e das proximidades do úbere, pois constituem os maiores propagadores de microrganismos. Recomenda-se que as vacas sejam lavadas diariamente e, no momento da ordenha, os úberes sejam higienizados com água limpa e enxutos com pano, de preferência, de cor branca. As vacas portadoras de mamite ou mastite devem ser ordenhadas por último. O leite dos animais doentes só poderá ser aproveitado após o tratamento e assegurada a sua cura. A ordenha deve ser completa e, de preferência, deve-se deixar o bezerro mamar no início.
O leite colostro
Após o parto, durante 8 a 10 dias, a vaca secreta um líquido de cor amarelada, de sabor ácido e densidade alta, que coagula ao ser fervido e na prova do álcool-alizarol. É o leite colostro, que deve ser utilizado apenas pela cria, por conter substâncias essenciais à saúde e favorecer a eliminação das primeiras fezes. Esse tipo de leite não deve ser misturado ao leite normal, por ser de fácil deterioração.
Ordenhador
Deve ter boa saúde, trabalhar com roupas e mãos limpas, usar botas e boné, manter as unhas aparadas e os cabelos curtos, e evitar fumar ou cuspir no chão, durante a ordenha. Esse trabalhador deve limitar-se somente à ordenha das vacas. Outras tarefas como conduzir, apartar e pear os animais, raspar e lavar o piso devem ser realizadas por um auxiliar. Deve ser bem treinado para a sua função e conhecer a importância da qualidade do leite na saúde humana.
Utensílios
Quando não devidamente higienizados, os baldes, latões, coadores e outros objetos que entram em contato com a matéria-prima são os principais responsáveis pela baixa qualidade do leite. Por exemplo, um mangote ou um latão mal lavado pode introduzir até nove milhões de bactérias por cada cm3 de leite (Feijó et al. 2002). Após o uso, os utensílios devem ser lavados e esterilizados com uma solução simples, contendo água sanitária, à base de 12 ml (uma colher de sopa), por litro de água. Após a limpeza, os utensílios devem ser colocados de boca para baixo, sobre um estrado de madeira.
Ordenha
Geralmente é nessa operação que o leite é contaminado. Portanto, o ordenhador deve tomar muito cuidado, pois maior parte da contaminação é de origem externa. A seguir, tratam-se de alguns pontos importantes da ordenha.
Primeiros jatos de leite - É importante a dispensa dos primeiros três ou quatro jatos de leite, pois à noite, ao deitar-se, o animal encosta as tetas no solo, possibilitando que microrganismos penetrem pelos canais das tetas. Contudo, se o bezerro mama antes da ordenha, ele já executa essa tarefa. Adicionalmente, é necessário fazer a limpeza das tetas dos animais com um pano úmido, para a retirada da espuma contaminada, deixada pelo bezerro.
Esgotamento total do leite - A ordenha termina com o esgotamento completo de todo o leite do úbere, cuidado essencial para a conservação desse órgão e o bom aproveitamento da gordura, que começa diluída no início da ordenha e vai engrossando, progressivamente, até o final.
Utilização de baldes de boca estreita - Durante a ordenha, partículas sujas aderentes ao pêlo do animal soltam-se e podem contaminar o leite. Essas partículas são esterco, pêlos, terra etc. Estudos têm mostrado a eficiência do uso de baldes de boca estreita, na qualidade do leite: ordenha com baldes de boca estreita resultou em menos bactérias (29.263 por cm3) que baldes de boca larga (87.380 por cm3) (Furtado, 1979).
Cuidados com o leite após a ordenha - Ao sair do úbere do animal, o leite está na temperatura ideal para a proliferação de bactérias. À medida que o leite for sendo ordenhado, deve ser filtrado em coadores próprios de tela fina. Na região, a prática mais comum de conservação do leite, antes do transporte à usina de beneficiamento, é mantê-lo sob um abrigo rústico para proteger do sol. No entanto, o resfriamento, à temperatura de 4oC a 7ºC, num espaço de tempo de 2 horas, é o procedimento mais eficaz para a sua conservação.
Referencia bibliográfica
Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/GadoLeiteiroZonaBragantina/paginas/qualidade.htm . Acesso em 15 de maio de 2012.
A qualidade do leite é um tema da maior importância para produtores leiteiros da Zona Bragantina. Sabe-se que a principal razão do baixo consumo dos produtos lácteos produzidos nessa região é a desconfiança dos consumidores com respeito à qualidade. Estudos recentes efetuados por Vieira et al. 2001a, deram conta que a qualidade físico-química do leite estava dentro dos limites aceitáveis. Já a qualidade microbiológica foi questionável, necessitando se fazer um trabalho de conscientização junto aos produtores, para melhorar as condições higiênico-sanitárias dos sistemas de produção.
Conforme o Programa Nacional da Qualidade do Leite, as normas restritas de qualidade deveriam ser implementadas na Região Norte, em julho de 2004. Isso iria exigir um grande esforço de todo o setor para se ajustar à legislação e poder participar do mercado cada vez mais exigente.
Qualidade do leite
A qualidade do leite é muito importante para as indústrias e produtores, tendo em vista sua grande influência nos hábitos de consumo e na produção de derivados. Por isso, é necessário conhecer alguns conceitos sobre a qualidade do leite, referentes à composição e condição higiênico-sanitária.
Ao levar a sua matéria-prima a um centro processador ou industrial, o produtor tem o seu leite submetido a testes de avaliação, para verificar a sua qualidade. São efetuadas análises, conforme as normas vigentes, visando garantir produtos com o menor risco possível para a população. A qualidade do leite é definida pelos seguintes critérios:
Constituição físico-química
Na composição do leite, constam a parte úmida, representada pela água, e a parte sólida, representada por dois grupos de componentes: o extrato seco total e o extrato seco desengordurado.
Extrato seco total - É representado pela gordura, açúcar, proteínas e sais minerais. Quanto maior esse componente no leite, maior será o rendimento dos produtos.
Extrato seco desengordurado - Compreende todos os componentes, menos a gordura (leite desnatado). Por lei, o produtor não pode fazer a remessa dessa fração do leite para a indústria. Apenas as indústrias podem manejá-la, por meio de desnatadeiras, destinando-a à fabricação de leite em pó, leite condensado, doces, iogurtes e queijos magros.
Gordura - É o componente mais importante do leite. O leite enviado à indústria deve conter, no mínimo, 3% de gordura. Na indústria, a gordura dá origem à manteiga, sendo o seu teor responsável pelo diferencial no preço do leite pago ao produtor.
Água - Maior componente do leite, em volume. Há cerca de 88% de água no leite. Se, de alguma forma, água for adicionada ao leite, o peso do produto será alterado sensivelmente. Logo, isso constitui uma fraude.
Densidade
É a relação entre peso e volume. Assim, um litro de leite normal pesa de 1.028 a 1.033 gramas. Abaixo ou acima desse intervalo, o leite pode ter a sua qualidade comprometida e ser recusado pelas indústrias. Deve-se considerar que um leite com um alto teor de gordura, como por exemplo, acima de 4,5%, terá provavelmente uma densidade abaixo de 1.028 gramas. Para evitar fraudes por aguagem, a densidade do leite é medida, diariamente, na indústria.
Fatores que afetam a qualidade do leite
Para a manutenção dos níveis adequados dos componentes do leite, é necessária uma ração balanceada, rica em carboidratos, aminoácidos essenciais e proteína de alta qualidade. Também, afetam a composição do leite a raça do animal, a freqüência de ordenha e a maneira de ordenhar.
Alimentação
Uma alimentação sadia e abundante é necessária para o funcionamento da glândula mamária e a síntese de todas as substâncias que vão auxiliar a formação do leite. Quando se ministra uma ração equilibrada, a composição do leite não é alterada.
Raça do gado
A raça influencia o volume de leite produzido e a riqueza em gordura. A raça holandesa, por exemplo, tende a produzir mais leite, enquanto que as raças Jersey e Guernesey produzem mais leite e gordura.
Ordenha
O componente do leite mais sensível ao manejo da ordenha é a gordura.
Manejo do bezerro
No início da ordenha, o leite é sempre mais ralo, aumentando o teor de gordura à medida que se aproxima do final. Isso ocorre porque a gordura, por ser mais leve, tende a ficar na superfície do úbere. Então, se o bezerro mama no final, ele tem acesso a um leite melhor. Do ponto de vista comercial do leite, é melhor que a cria mame no início da ordenha, por um tempo suficiente para seu sustento.
Ordem da ordenha
A primeira ordenha produz um maior volume de leite com menor teor de gordura. Ao contrário, na segunda ordenha, o leite é rico em gordura e a produção diminui. O descanso noturno promove a quantidade de leite e os exercícios diurnos favorecem a formação de gordura.
Avaliação higiênico-sanitária do leite
O direito do consumidor em adquirir um produto digno de confiança é considerado uma conquista do cidadão. Neste item, abordam-se os cuidados com a matéria-prima, desde a fonte de produção e o caminho por ela percorrido, até a plataforma de recepção da indústria. Nessa ocasião, algumas análises obrigatórias são feitas para avaliação da qualidade higiênico-sanitária do leite, tais como a acidez, prova do álcool-alizarol, prova de redutase do azul de metileno e outras complementares, como a contagem total de bactérias.
Acidez do leite
Ao ser ordenhado, o leite não apresenta nenhuma fermentação. Depois de algum tempo, com a ação da temperatura e com a perda dos inibidores naturais, o leite passa a produzir um tipo de fermento que é medido pela acidez. Portanto, é atribuída à acidez a perda do leite do produtor nas usinas, quando a fermentação produzida ultrapassa a 1,8 gramas por litro de leite, que é igual 18o D (18 graus Dornic).
Prova do álcool-alizarol
Essa análise não mede exatamente a acidez do leite, mas sim, verifica sua tendência a coagular. O leite que coagula nessa prova não resiste ao calor, portanto, não pode ser misturado aos demais.
Teste de redutase do azul de metileno (TRAM)
Nesta prova avalia-se a atividade das bactérias presentes no leite, por meio de um corante. Quanto mais rápido for o tempo de descoloração do corante de azul para branco, maior é o numero de micróbios existentes. No Brasil, o leite é aceito quando a descoloração ocorre a partir de duas horas e trinta minutos. Esse teste classifica o leite brasileiro nos tipos A, B e C.
Contagem total de bactérias
É um método mais preciso que determina, com precisão, o número de bactérias existente no leite. Para o leite tipo C, mais comumente produzido no Brasil, é utilizado como um controle complementar da qualidade do leite.
Recomendações práticas
A qualidade do leite cru está relacionada ao número inicial de bactérias no úbere do animal e no ambiente externo, no ato da ordenha. Um leite é de boa qualidade quando, ao sair do úbere do animal, contém aproximadamente de 1.500 a 2.500 bactérias por cm3 (Vargas, 1976). Portanto, para que o leite atenda às exigências higiênico-sanitárias, algumas práticas têm que ser observadas, levando em consideração o animal, o material de coleta, que entra em contato diretamente com o leite, o ambiente geral e o ordenhador, conforme as recomendações a seguir.
Local de ordenha
Deve ser bem arejado, com acomodações adequadas ao serviço, permitindo uma higiene completa. Pelo menos, as salas de ordenha devem dispor de piso cimentado e água em abundância para a higiene dos animais e dos ordenhadores.
Cuidados com o animal
Para produzir leite de boa qualidade, os animais devem estar em boas condições sanitárias. As vacas devem estar vacinadas contra brucelose e febre aftosa, e terem aparados os pêlos da cauda e das proximidades do úbere, pois constituem os maiores propagadores de microrganismos. Recomenda-se que as vacas sejam lavadas diariamente e, no momento da ordenha, os úberes sejam higienizados com água limpa e enxutos com pano, de preferência, de cor branca. As vacas portadoras de mamite ou mastite devem ser ordenhadas por último. O leite dos animais doentes só poderá ser aproveitado após o tratamento e assegurada a sua cura. A ordenha deve ser completa e, de preferência, deve-se deixar o bezerro mamar no início.
O leite colostro
Após o parto, durante 8 a 10 dias, a vaca secreta um líquido de cor amarelada, de sabor ácido e densidade alta, que coagula ao ser fervido e na prova do álcool-alizarol. É o leite colostro, que deve ser utilizado apenas pela cria, por conter substâncias essenciais à saúde e favorecer a eliminação das primeiras fezes. Esse tipo de leite não deve ser misturado ao leite normal, por ser de fácil deterioração.
Ordenhador
Deve ter boa saúde, trabalhar com roupas e mãos limpas, usar botas e boné, manter as unhas aparadas e os cabelos curtos, e evitar fumar ou cuspir no chão, durante a ordenha. Esse trabalhador deve limitar-se somente à ordenha das vacas. Outras tarefas como conduzir, apartar e pear os animais, raspar e lavar o piso devem ser realizadas por um auxiliar. Deve ser bem treinado para a sua função e conhecer a importância da qualidade do leite na saúde humana.
Utensílios
Quando não devidamente higienizados, os baldes, latões, coadores e outros objetos que entram em contato com a matéria-prima são os principais responsáveis pela baixa qualidade do leite. Por exemplo, um mangote ou um latão mal lavado pode introduzir até nove milhões de bactérias por cada cm3 de leite (Feijó et al. 2002). Após o uso, os utensílios devem ser lavados e esterilizados com uma solução simples, contendo água sanitária, à base de 12 ml (uma colher de sopa), por litro de água. Após a limpeza, os utensílios devem ser colocados de boca para baixo, sobre um estrado de madeira.
Ordenha
Geralmente é nessa operação que o leite é contaminado. Portanto, o ordenhador deve tomar muito cuidado, pois maior parte da contaminação é de origem externa. A seguir, tratam-se de alguns pontos importantes da ordenha.
Primeiros jatos de leite - É importante a dispensa dos primeiros três ou quatro jatos de leite, pois à noite, ao deitar-se, o animal encosta as tetas no solo, possibilitando que microrganismos penetrem pelos canais das tetas. Contudo, se o bezerro mama antes da ordenha, ele já executa essa tarefa. Adicionalmente, é necessário fazer a limpeza das tetas dos animais com um pano úmido, para a retirada da espuma contaminada, deixada pelo bezerro.
Esgotamento total do leite - A ordenha termina com o esgotamento completo de todo o leite do úbere, cuidado essencial para a conservação desse órgão e o bom aproveitamento da gordura, que começa diluída no início da ordenha e vai engrossando, progressivamente, até o final.
Utilização de baldes de boca estreita - Durante a ordenha, partículas sujas aderentes ao pêlo do animal soltam-se e podem contaminar o leite. Essas partículas são esterco, pêlos, terra etc. Estudos têm mostrado a eficiência do uso de baldes de boca estreita, na qualidade do leite: ordenha com baldes de boca estreita resultou em menos bactérias (29.263 por cm3) que baldes de boca larga (87.380 por cm3) (Furtado, 1979).
Cuidados com o leite após a ordenha - Ao sair do úbere do animal, o leite está na temperatura ideal para a proliferação de bactérias. À medida que o leite for sendo ordenhado, deve ser filtrado em coadores próprios de tela fina. Na região, a prática mais comum de conservação do leite, antes do transporte à usina de beneficiamento, é mantê-lo sob um abrigo rústico para proteger do sol. No entanto, o resfriamento, à temperatura de 4oC a 7ºC, num espaço de tempo de 2 horas, é o procedimento mais eficaz para a sua conservação.
Referencia bibliográfica
Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/GadoLeiteiroZonaBragantina/paginas/qualidade.htm . Acesso em 15 de maio de 2012.
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